VFR 1200F chega para ditar tendência
18 de Maio de 2011 Deixe o seu comentário
Inovadora, única, futurista, enfim, diferente! É com essa perspectiva que todos vêem a Honda VFR 1200 F e com razão. O grande trunfo da VFR 1200F é o câmbio automático e o inédito (em motocicletas) sistema de duas embreagens, chamado de Dual Clutch Transmission (DCT). O câmbio é auxiliado por duas embreagens que trabalham em conjunto. Enquanto uma opera as marchas ímpares (1, 3, 5) a outra se encarrega de engrenar o conjunto par (2, 4, 6). Com o auxílio desta “engenhoca”, o piloto pode se preocupar somente em selecionar o câmbio — automático ou manual — e acelerar.
E para rugir com exclusividade, a Honda fugiu do comum até mesmo no motor: adotou um quatro cilindros em “V”. Mantendo a proposta de ineditismo no modelo, a fabricante japonesa ainda inovou na carenagem da VFR 1200F, chamada de Double Layer, dupla camada em português. Desta forma, a marca conseguiu esconder parafusos e dar um ar futurista ao seu novo modelo, condizente com toda a tecnologia.
Experiência nova
A sensação é muita parecida com a primeira vez que se senta em um carro automático, primeiro, a ausência de manete de embreagem e pedal de câmbio por si só já causam estranheza, aliás, as analogias são muitas. Antes de partir com a VFR 1200F, solte o freio de mão. Isso mesmo, como o DCT é controlado eletronicamente, toda vez que a moto é desligada, o neutro é acionado automaticamente. Portanto é imprescindível lembrar-se de puxar o freio de mão para estacionar esta motocicleta.
Depois, no punho direito, acione o botão ‘D’, logo após levantar o descanso lateral. No modo Drive, basta acelerar. São 264 kg a seco que podem ser levados apenas pelo acelerador, com pé e mão esquerda totalmente sem função.
Entretanto, nem tudo é uma maravilha. No modo ‘D’ a VFR 1200F sobe as marchas muito “cedo”, em médias rotações, a fim de proporcionar conforto. Todavia, de um farol para o outro, por exemplo, o câmbio automático já engata a quinta, sexta marcha, o que dificulta a frenagem. Você sentirá a ausência do freio motor, já que precisará parar apenas utilizando os freios; uma sensação estranha.
Modo Sport
Se no modo ‘D’ você abusará dos freios dianteiro e traseiro, na pilotagem esportiva, selecionando o modo ‘S’ (Sport) no mesmo punho direito, a tocada será outra. O câmbio agora “estica” as marchas e realiza trocas em giros mais altos. De um farol a outro, por exemplo, o câmbio e o sistema DCT vão engatar, no máximo, uma terceira marcha. Não se preocupe com isso, o painel informa a marcha engatada, seja no automático ou no modo manual.
Além de colocar a transmissão por eixo cardã para trabalhar e facilitar a pilotagem, o modo ‘S’ ainda faz o motor girar mais, com disposição. Basta abrir completamente o acelerador que os giros do motor, assim como a velocidade da VFR, vão crescer rapidamente.
Velocidade essa, que será reduzida com o auxilio de um eficiente conjunto de freios combinados dotados também do sistema ABS. O disco duplo de 320 mm e pinça radial de seis pistões na dianteira são muito requisitados e passam confiança ao piloto. Por não possuir embreagem, o acionamento do freio traseiro no trânsito urbano, por exemplo, é constante.
Mas essa Honda apresenta freios condizentes com sua proposta. Um disco simples de 276 mm com pinça de pistão duplo trabalha bem e, em parceria com o dianteiro, são suficientes para parar a VFR 1200F com segurança.
Câmbio Tiptronic
No melhor estilo veloz e furioso, a VFR 1200F oferece ainda a opção de câmbio manual. Lembrem-se, o sistema DCT nada tem a ver com o câmbio — ele auxilia o câmbio, como toda embreagem, mas aqui eletronicamente. O DCT está sempre ativo. Cabe a você optar pelo câmbio automático, com dois modos (Drive e Sport), ou pelo câmbio de acionamento manual. E é aí que a VFR 1200F começa a ficar divertida.
Imagine que você ainda está no modo ‘S’ e começa a deixar a cidade. Entrando na estrada em quinta marcha um carro abre para a direita e lhe dá passagem. Com as rotações baixas, você leva o polegar esquerdo a frente e reduz duas marchas. Pronto, o modo manual foi acionado e os giros crescem rapidamente, garantindo o torque que você precisava para realizar a ultrapassagem. Se um leigo resolver engatar primeira marcha a 100 km/h, o sistema não permitirá, por isso é chamado de “inteligente”.
Na verdade, você também pode mudar para o acionamento manual de marchas no punho direito, no botão AT/MT. Mas como é permitido fazer essas mudanças em movimento, é melhor ir direto aos botões de subida de marcha — indicador esquerdo — e de reduzida — polegar esquerdo.
Mas cadê a diversão? Experimente sair do pedágio e, no modo manual, ir subindo marchas no limites das rotações do motor. Encaixes precisos, rápidos e um V4 despejando 172,7 cavalos de potência a 10.000 rpm são bem divertidos, posso garantir.
Inédito V4
Outra característica interessante na inovadora VFR 1200F é a adoção de um propulsor de quatro cilindros em ‘V’. Essa escolha permite que muito torque seja entregue ao piloto em médias rotações. Com 13,2 kgf.m de torque máximo a 8.750 rpm, este motor começa sonolento, mas a partir dos 4.000 giros surpreende até os mais experientes. Com 6.000 rpm registrados de forma analógica no centro do painel, os quatro cilindros empurram a VFR 1200F com muita força na direção desejada. O ronco, diferente, soa como música para o motociclista.
Os quatro cilindros com 1.236 cm³ de capacidade têm comando simples no cabeçote (OHC), quatro válvulas por cilindro e refrigeração líquida. Tudo, claro, alimentado por injeção eletrônica de combustível. Esse “motorzão” cobra por todo o seu desempenho. Registramos um consumo médio de 14,2 km/l, sendo que o tanque tem 18,5 litros. Em uma tocada mais ‘suave’, a VFR 1200F chegou a rodar 16,5 km/l.
Ergonomia
A posição de pilotagem preza o conforto. Mas a VFR 1200F se mostrou muito mais uma esportiva com proposta touring, do que o contrário. Pois o guidão é baixo demais e as pedaleiras, recuadas. Para atender aos anseios do futuro comprador deste modelo, a meu ver, a Honda poderia ter elevado um pouco o guidão, aliviando o braço do piloto. Já as pedaleiras, mesmo para mim que tenho 1,90 m, não cansaram as pernas ao fim dos 457 quilômetros rodados.
As soluções para o conjunto de suspensão foram acertadas. Na traseira, monobraço com um amortecedor e eixo-cardã integrado, já vista em outras motos BMW. Na dianteira, sem muita novidade. A Honda optou pelo garfo telescópico invertido com ajuste na pré carga da mola. O quadro, em alumínio, transmite rigidez ao piloto. No entanto, não se pode chamar a VFR 1200F de uma moto ágil.
Por outro lado, o moderno modelo da Honda me preservou de todo o vento, mesmo em velocidades mais altas. Seu design e o pára-brisa permitem ao piloto estar a mais de 150 km/h, como se tivesse a 100 km/h. É incrível como a barreira dos 200 km/h é quebrada sem que o trem dianteiro balance e o vento não incomode o piloto.
Mercado
Recém lançada no Brasil, a VFR 1200F tem pela frente concorrentes que, perante ela, se tornam obsoletas. São os casos de Suzuki GSX 1300R Hayabusa e Kawasaki ZX-14R. A única que faz frente à tecnologia do novo modelo Honda é a BMW K 1300 S Premium.
Com o inédito sistema DCT, opções de câmbio manual e automático, sistema de freios C-ABS, design futurista e funcional e custando em média R$ 10.000 reais a menos que sua principal concorrente, a VFR 1200F é um bom investimento para quem deseja rodar com segurança e exclusividade. A conclusão está feita, mas a pergunta fica no ar: toda essa tecnologia será uma tendência no segmento sport-touring? Veremos…
fonte: www.moto.com.br (André Jordão)
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